Produção de recursos de acessibilidade por pessoas “sem deficiência”

 

Como produzir recursos de acessibilidade com qualidade para pessoas cegas ou surdas sem que tenhamos a mesma deficiência? Esta questão sempre é levantada em nossas pesquisas, seminários e nas produções que realizamos no nosso grupo de pesquisa MATAV (Mídia Acessível e Tradução Audiovisual).

Parte de minha pesquisa de Pós Doutorado na Universitat Autònoma de Barcelona (UAB) foi centrada em conhecer pesquisadores na área de Tradução Audiovisual & Acessibilidade e debater com eles questões teóricas e práticas que são bastante polêmicas atualmente. Tive a oportunidade de entrevistar dois docentes que atuam de forma bem dinâmica em Tradução Audiovisual na Europa. As entrevistas serão publicadas em periódicos brasileiros, a primeira já no mês de setembro com Anna Matamala e a com Pablo Romero-Fresco será publicada um pouquinho mais para frente.

 

ANNA MATAMALA - UAB - Barcelona

A Profa. Dra. Anna Matamala é minha supervisora aqui na UAB, tem uma carreira extensa como tradutora para dublagem em canais da TV Catalã e é docente na Autònoma desde 2003.

 

 

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O Prof. Dr. Pablo Romero-Fresco é docente da University of Roehampton e pesquisador da Universidade de Vigo. Ele tem atuado em duas áreas concomitantes: Tradução Audiovisual e Produção de Cinema com acessibilidade (Accessible Filmmaking)

Como os periódicos pedem ineditismo em suas publicações, segue abaixo apenas uma das perguntas e as respectivas respostas que foram dadas pelos dois investigadores.

Pedi para darem suas opiniões sobre a questão da obrigatoriedade ou não de termos pessoas com deficiência envolvidas no processo de áudio descrição e de legendagem para surdos e ensurdecidos. Algo sempre polêmico tanto na academia como no ambiente técnico.

Question: One of the main criticisms the translators receive in the media accessibility context (at least in Brazil) is that we provide audio description or subtitling without having any kind of disability. What is your view about this kind of criticism? Dou you think we (professionals or researchers) must present every single AD and SDH product to its “real” audience before its release?

Dr. Anna Matamala: There is a motto: “Nothing for us without us”, I think this is true. I think that we need to cooperate with the users and associations. And we do that, we are in touch with many associations with disabilities and our PhD students go and talk to them, they do tests with them. We involve them in our projects and get back to them with results once the project is finished.

But I do not think that we need to have a disability to do a good job. You don´t have to be a writer to do research on literature. You need to know your user but not necessarily you need to have a disability to investigate or create audio descriptions or subtitles for the deaf and hard-of-hearing. In fact, my view is that an accessible content can benefit all of us, so in a way we are all potential users of access services.

Dr. Pablo Romero-Fresco: I don’t think you need to have a disability in order to work on accessibility, just like oncologists don’t need to have cancer to be good at their jobs. What I think is necessary is a good practical and theoretical knowledge of the needs of audiences with visual and hearing loss. It may not be possible to work in collaboration with the real audience regularly, but I do believe translators working on accessibility must make a constant effort to be in touch with blind and deaf audiences, having the opportunity to learn about them first hand, to talk to them and understand their needs, requirements, issues, etc. This must come through theory but also through contact with them, and not just once but as constant as possible.

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